Voo comercial KAL 007 abatido

No dia 01 de setembro de 1983, O voo Korean Airlines 007, conhecido também como KAL 007 ou KE007, foi derrubado por jatos interceptadores soviéticos sobre o mar de Okhotsk, a oeste da ilha de Sacalina.

Os 269 passageiros e tripulantes, incluindo um congressista norte-americano, Lawrence McDonald, estavam a bordo do voo KAL 007; ninguém sobreviveu. A União Soviética afirmou que não sabia que o avião era civil e como tinha entrado no espaço aéreo soviético, pensaram que era uma provocação deliberada dos Estados Unidos, e foi decidido que eles iriam testar suas capacidades militares, repetindo o incidente do voo KAL 902, derrubado por dois caças soviéticos sobre a península de Kola em 20 de abrilde 1978. O incidente atraiu uma onda de protestos através do mundo, particularmente nos Estados Unidos.

O fatídico voo começou no Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, pouco antes da meia-noite de 30 de agosto de 1983. Era um Boeing 747-230B, fabricado em 1971 e matriculado HL-7442. Embarcaram 246 passageiros e 23 tripulantes. A aeronave pousou no Aeroporto Ted Stevens, em Anchorage, no Alaska, para reabastecer, e decolou novamente às 05 horas, hora local, 13:00 UTC, em direção ao Aeroporto Internacional Kimpo, em Seul. O voo até Seul era comandado pelo experiente Comandante Chun Byung-in.

A tripulação deveria engajar, no piloto automático, o modo INS (Inertial Navigation System), que faria o avião seguir uma rota de Círculo Máximo (ortodrômica) para Seul. Mas os pilotos colocaram a aeronave para voar no modo HDG (Heading = proa), que faria a aeronave manter uma proa magnética praticamente constante de 245 graus após Bethel, o que teve o efeito prático de desviar o curso do voo para a direita, ao Norte.

Inacreditavelmente, os pilotos deixaram a aeronave manter a proa 245 no modo HDG por cinco horas e meia, sem selecionar o modo INS para seguir a rota planejada, e o avião, voando bem ao norte, acabou se desviando cada vez mais da sua rota planejada e passou a sobrevoar, inadvertidamente, a inóspita mas altamente protegida Península de Kamchatka, território soviético repleto de instalações militares estratégicas, pela sua proximidade com a América do Norte.

O Presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, acusou os soviéticos de cometerem um crime internacional, e um ato de barbarismo desumano contra o jato coreano. O incidente azedou de vez as relações entre os americanos e os soviéticos, pelos três anos seguintes.

Os russo recuperaram as caixas-pretas do KAL 007, mas mantiveram o fato em segredo até que, muitos anos depois da queda do regime soviético, o Presidente da Rússia Bóris Yeltsin as entregou às autoridades coreanas. As caixas pretas acabaram revelando o erro de navegação.

Os russos se defenderam, alegando ter tentado estabelecer contato com o 747 por rádio e não obtiveram resposta. Nenhuma transmissão russa foi ouvida pelas aeronaves ocidentais que voavam na área, entretanto. O piloto do Sukhoi afirmou ainda que avistou a aeronave, e a identificou como sendo um avião EC-135 ou RC-135, que são versões militares do Boeing 707, bastante semelhantes ao Boeing 747, especialmente se vistos de trás ou de baixo. O piloto russo declarou, também, que desconhecia quase completamente as aeronaves comerciais americanas.

Depois da tragédia, o Presidente Reagan tomou a decisão de disponibilizar o sistema de navegação por satélites GPS - Global Positioning System para aeronaves civis, assim que o sistema estive totalmente concluído, pois um sistema assim poderia, sem dúvida, ter evitado o erro de navegação que acabou provocando o abate do KAL 007.

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