Submarino alemão afunda navio brasileiro

No dia 16 de agosto de 1942, o navio brasileiro à vapor Aníbal Benévolo foi afundado pelo submarino alemão alemão U-507, no litoral do estado de Sergipe.

Foi a décima-oitava embarcação brasileira atacada na guerra, e a terceira a ser afundada em sequência pelo o mesmo "u-boot", que torpedeara na noite anterior os navios Baependi eAraraquara em águas próximas. Morreram 150 pessoas das 154 que se encontravam a bordo, consistindo no mais letal — em números relativos daquela sequência de ataques. No Baependi, esse índice alcançou cerca de 88 % (270 mortos dentre 306 pessoas) e no Araraquara, pouco mais de 92% (131 mortos dentre 142 pessoas).

A notícia chegou aos ouvidos da população brasileira dia 18 de agosto, o que levou a grandes manifestações populares, em várias cidades brasileiras, as quais exigiam a imediata declaração de guerra contra as potências do Eixo. Nesse ínterim, ainda seriam afundados mais três embarcações brasileiras (o Itagiba, o Arará e a barcaça Jacira), com mais 56 mortos.

No dia 22, o governo, o Governo Brasileiro decidiu pela entrada do país na guerra contra a Alemanha nazista e a Itália fascista. A declaração do estado de beligerância foi oficialmente formalizada no dia 31 daquele mês, através do Decreto-Lei nº 10.358.

Apesar disso, o U-boot não se intimidou: naquele ano houve mais seis torpedeamentos de embarcações brasileiras, e seriam mais quinze até o final do conflito.

Embora as relações diplomáticas entre o Brasil e a Alemanha Nazi estivessem rompidas desde janeiro e, apesar do afundamento de quinze mercantes seus nos meses anteriores, o Brasil, em tese, ainda era um país neutro. Porém, no início de agosto, ante aos revides das patrulhas aéreas norte-americanas, a partir de bases brasileiras (e com auxílio de brasileiros), contra os submarinos do Eixo, a relação entre os dois países estavam seriamente deterioradas, em um estado de guerra latente entre eles.

Nesse contexto, o Alto-Comando da Kriegsmarine determinou ao submarino U-507 que se deslocasse para a costa brasileira e lá, executasse "manobras livres", ou seja, afundar toda e qualquer embarcação aliada ou latino-americana, exceto argentinas e chilenas, sem necessidade de aviso ou autorização. Os alemães já haviam feito bom uso dessa permissão em abril e maio daquele ano no Golfo do México quando, somente o U-507 afundou 11 navios, um deles no delta do Mississippi.

Do lado brasileiro, os navios mercantes de cabotagem passariam a trabalhar em um ambiente de pré-guerra e essa expectativa estava bem evidenciada nas ordens que então receberam todos os comandantes, ou seja, a de navegarem mais próximos da costa brasileira e que durante a noite, as luzes internas de seus barcos deveriam ficar apagadas, ficando acesos apenas os faróis de navegação. E ainda, segundo as normas expedidas pelo governo brasileiro, os navios, que como medida de segurança já traziam as vigias pintadas de preto, deveriam tomar precauções maiores quando passassem a navegar de Maceió mais para o norte.

O U-507 era um submarino do Tipo IXC, fabricado em 1940. Tinha 1.120 toneladas de deslocamento na superfície e 1.232 toneladas submerso. Com um comprimento de 76,76 metros, os submarinos desse tipo eram movidos por uma combinação de motores diesel e elétrico. Debaixo d’água, só se podia usar o motor elétrico, que não rouba o ar como os motores a combustão (só mais tarde na guerra que se adaptou um dispositivo - basicamente um tubo que capta o ar da superfície -, o snorkel, para tornar o submarino capaz de ligar o motor diesel mesmo submerso). Na superfície, movido a diesel, um tipo IXC podia navegar 13.450 milhas náuticas (25.000 km) a uma velocidade de 10 nós (18,5 km/h). Submerso, com o motor elétrico, só conseguia navegar 63 milhas a uma velocidade de apenas 4 nós (7,5 km/h). Possuíam 22 torpedos e um carregamento de 44 minas. Operavam com uma tripulação entre 48 e 56 homens.

Seu comandante, o Capitão-de-Corveta Harro Schacht, também era muito experiente. Casado, 35 anos, com residência fixa em Hamburgo, começara a carreira naval, em 1926, servindo nos cruzadores Emden e Nürnberg, até ser deslocado para o Gabinete do Comando da Marinha, onde foi promovido a Capitão-de-Corveta e assumindo, pouco depois, o comando do U-507.

Por ocasião do afundamento do Aníbal Benévolo, o "u-boot" já contabilizava 12 ataques (com onze naufrágios).

A notícia do ataque comoveu a população brasileira na época. Também motivou reações violentas de cidadãos que, indignados e desejando vingança, se voltaram contra imigrantes alemães, italianos e japoneses. Em muitas cidades brasileiras ocorreram episódios de depredações de estabelecimentos comerciais pertencentes a imigrantes vindos de países que faziam parte do Eixo - e até tentativas de linchamento desses imigrantes.

Após a entrada do Brasil na guerra, os imigrantes e seus descendentes passaram a ser vigiados pelas autoridades brasileiras - e não foram poucos os que foram vítimas de perseguições e arbitrariedades. Apesar da grande maioria não ser adepta à causa do nazi-fascismo, suas origens já os colocavam sob suspeita de espionagem.

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