Morre Muhammad Ali

No dia 04 de junho de 2015 faleceu o desportidta do século Muhammad Ali-Haj, nascido Cassius Marcellus Clay Jr.

Ali foi foi um pugilista norte-americano, considerado um dos maiores da história do esporte. Foi eleito "O Desportista do Século" pela revista americana Sports Illustrated em 1999.

Cassius Marcellus Clay, Jr., nasceu em 17 de janeiro de 1942 em Louisville, Kentucky, Estados Unidos. O mais velho de dois irmãos, tinha o mesmo nome do pai, Cassius Marcellus Clay, Sr., que fora nomeado em homenagem ao político abolicionista homônimo e era pintor de outdoors. Sua mãe, Odessa O'Grady Clay, era empregada doméstica.

Cassius Sr. era metodista, mas aceitou que Odessa convertesse Cassius Jr. e seu irmão Rudolph "Rudy" Clay (depois renomeado Rahman Ali) à Igreja Batista. Ele era descendente de escravos afro-americanos do sul estadunidense e também de irlandeses e ingleses.
Clay teve seu primeiro contato com o boxe por intermétdio do chefe de polícia e técnico de boxe Joe E. Martin, em Louisville, que o encontrou com 12 anos batendo em um ladrão que estava roubando sua bicicleta. Ele disse ao oficial que ele estava fazendo "whup" no ladrão. O oficial lhe disse para aprender boxe. Nos seus últimos quatro anos de carreira amadora, Clay tinha treinado com Chuck Bodak.

Converteu-se ao Islamismo (mudando de nome para Muhammad Ali-Haj) e lutou contra o racismo.

Ali dizia que a primeira vez em que ouviu falar da Nation of Islam foi quando estava competindo pelas Golden Gloves em Chicago, em 1959. Foi à sua primeira reunião na Nation of Islam em 1961. Continuou a frequentar as reuniões, mas manteve esse envolvimento fora do conhecimento do público. Em 1962, encontrou-se com Malcolm X, que viria a se tornar seu mentor espiritual e político. Na época de sua primeira luta com Liston, membros da Nation of Islam, incluindo Malcolm X, eram vistos em seu entourage. Isso levou a uma reportagem do Miami Herald, publicada pouco antes da luta, revelando que ele havia aderido à Nation of Islam, o que quase levou a luta a ser cancelada.

Muhammad Ali pode ser considerado o primeiro esportista a aliar esporte e política. Exemplo disso foi seu desempenho antes da luta com George Foreman no Zaire. Ali utilizou todo seu conhecimento do pan-africanismo para se colocar como o lutador da África, enquanto Foreman ficou como símbolo da alienação negra americana, episódio este retratado no filme "Quando Éramos Reis", de 1974. Ali entrou para história da década de 1960, quando se negou a lutar na Guerra do Vietnã. "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo, porque eu lutaria contra ele?". Em 1967, quando, juntamente com Martin Luther King (de quem era amigo), esteve em Louisville para apoiar a luta da população local por moradia.

Nos últimos anos de vida, Muhammad Ali teve a doença de Parkinson, diagnosticada no início da década de 1980. Em 2010, foi a Israel para tratar a doença. O trabalho foi feito com células-tronco adultas. Os testes até então realizados com ratos tiveram sucesso, mas sua eficácia em seres humanos ainda será testada.

Em 2001, Will Smith interpretou Muhammad Ali no filme Ali.
Por diversas vezes, anunciou-se a luta entre Ali, o campeão mundial dos profissionais, contra o cubano Teófilo Stevenson, campeão mundial dos amadores e campeão olímpico, mas, devido a problemas técnicos e políticos, essa luta jamais ocorreu.
Em 2010, Muhammad junto com a cantora Christina Aguilera fizeram a propaganda em prol das vítimas do terremoto que destruiu o Haiti.

Muhammad Ali morreu nos Estados Unidos, aos 74 anos, no dia 3 de junho de 2016, vítima de uma doença degenerativa. Estava internado com graves problemas respiratórios em um hospital de Phoenix, cidade onde vivia, quando sua morte foi declarada. A família divulgou nota à imprensa que dizia que "depois de uma batalha de 32 anos contra o mal de Parkinson, Muhammad Ali se foi aos 74 anos".

Em 4 de junho de 2016, um porta-voz da família informou, em entrevista coletiva, que Muhammad Ali morreu por conta de um choque séptico devido a causas naturais não especificadas.

O funeral do boxeador foi dividido em duas partes. Em 9 de junho de 2016, uma cerimônia islâmica tradicional foi realizada, com orações em árabe e marcada por discursos que destacaram a trajetória política e social de Ali. Cerca de 15 mil pessoas participaram do Jenazah (funeral, em árabe), realizado também em Louisville.

Em 10 de junho de 2016, na segunda parte de seu funeral, o atleta foi sepultado no Cave Hill Cemetery. Antes de seu sepultamento, foi realizado um cortejo fúnebre pelas ruas de Louisville, que terminou no cemitério; lá, uma cerimônia privada para a família foi realizada. Entre os escolhidos para carregar o caixão estavam os lutadores Lennox Lewis, George Foreman e Mike Tyson, além do ator Will Smith. Um evento público, com a presença de cerca de 20 mil pessoas foi realizado à tarde, no centro de Louisville.

O cortejo foi realizado por cerca de 90 minutos. O carro fúnebre, acompanhado por limusines com familiares e convidados, percorreram os locais mais importantes da cidade para a carreira do lutador. Foi um trajeto de cerca de 30 quilômetros acompanhado por milhares de pessoas. O único ponto de parada foi em frente ao Ali Center, um memorial do atleta. Em todas as ruas, centenas de pessoas levaram cadeiras de praia e guarda-sóis para aguardar a passagem do cortejo.

Um dos momentos mais marcantes do cortejo foi a passagem pela rua onde Ali cresceu. Uma multidão se formou nos dois lados da Grand Avenue e gritava “Ali, Ali, Ali”. Outros corriam atrás do carro, apenas para tocá-lo ou beijá-lo.

Cada carro que integrou o cortejo trazia desenhos de borboletas no vidro dianteiro, em referência à maneira como o próprio Ali descrevia seu estilo de lutar:
Flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha.

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