E se...Chuck Berry nunca tivesse nascido?

Lembra-se do filme “De volta para o futuro”? Quando Marty McFly volta ao ano de 1955 e acidentalmente encontra seus pais - George e Lorraine – começa a haver um fenômeno conhecido na ficção científica como paradoxo temporal. Um exemplo clássico é que se o viajante do tempo altera algum evento do passado com o objetivo de mudar o futuro, assim que o fizesse deixaria de existir o motivo original da realização da viagem.
McFly, ao interagir com seus pais, modifica acidentalmente o passado: a mãe de McFly não se apaixona pelo pai, mas sim pelo filho! Sendo assim, no presente (isto é, em 1985) Marty McFly não poderia voltar ao passado, pois ele nem teria nascido.
Na tentativa de fazer seus pais se apaixonarem, McFly vai ao baile onde seus pais se beijaram pela primeira vez. Só que tinha um problema: um músico da banda havia se machucado e eles não poderiam continuar tocando... E daí, já viu... Sem banda, nem música, nem dança, nem beijo... Sem McFly! A solução? Para salvar a sua existência, McFly assume a guitarra da banda e segue com o baile. A música? O clássico dos anos 50, “Johnny Be Goode”, de Chuck Berry.
Agora que você já se lembrou do filme e entendeu o problema do paradoxo temporal, pergunte-se... E se Chuck Berry nunca tivesse nascido?
Primeiramente, outra música seria tocada no baile, e não teríamos essa clássica apresentação de McFly inspirada em Berry, Van Halen e Angus Young!
Neste momento, o pianista está se perguntando onde está a assistente social desta criança...

E quais seriam as consequências no mundo da música se Chuck Berry nunca tivesse nascido?
Berry nasceu em 18 de outubro de 1926, completando hoje 89 anos de vida!
Embora não se possa apontar quem é o principal responsável pela criação do rock and roll, não há duvidas que Chuck Berry esteja entre um dos pioneiros. Entre a primeira geração de roqueiros, estavam Fats Domino, Little Richard e a primeira banda de rock, Bill Halley and His Comets.
Em março 1958, quando Chuck Berry lançava “Johnny Be Goode”, o mundo era bem diferente do que conhecemos: a seleção brasileira ainda não havia ganhado nenhuma Copa; ninguém havia ido ao espaço, tampouco à Lua e a Europa estava dividida em leste e oeste. A letra da música trata de um jovem cantor em inicio de carreira. O riff foi inspirado na música "Ain't That Just Like a Woman" de 1946, interpretada por Carl Hogan. A canção é uma das mais interpretadas em todo o mundo! Inspirou gerações de roqueiros! Um sucesso! Mas Chuck Berry não se limitou, e emplacou outras dezenas de hits.
Quando a revista Rolling Stone elegeu Berry como o 7º maior guitarrista de todos os tempos, Keith Richards, da banda Rolling Stones, foi escolhido para escrever sobre ele. Nela, o guitarrista se declara que Berry foi a maior influencia em sua carreira. Outras bandas e músicos beberam da mesma água. A lista é longa, mas inclui AC/DC, Aerosmith, Bad Religion, B.B. King, Beach Boys, Bob Marley, The Beatles, Bon Jovi, Elvis Presley, Johnny Rivers, Led Zeppelin, Lynyrd Skynyrd, Motorhead, Sex Pistols, The Who e o maior guitarrista de todos os tempos, Jimi Hendrix.
Tal como McFly, Chuck Berry moldou o futuro. Se ele nunca tivesse nascido, teríamos um problemão com o paradoxo temporal. O que isso significa? O rock seria bem diferente do que conhecemos. O rock pré-Berry não contava com os poderosos riffs de guitarra. Berry foi um pioneiro, um idealizador. É como se ele ensinasse a toda geração posterior como seria o ritmo. Seus riffs influenciaram não apenas o rock, mas toda a cultura pop, desde o reggae ao heavy metal.
Vida longa ao Mestre! Go, Berry, Go!

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